Eficiência industrial

Produção em curso: contagem, custo e controlo

Conheça a produção em curso, calcule o custo e identifique o que impede a conclusão. Veja como o SkyPlanner ajuda a reduzir a produção em curso desnecessária.

Jussi Mäntylä Especialista em planeamento da produção, SkyPlanner Atualizado 20 de Outubro, 2026 11 min de leitura
Unfinished metal housings wait between machining and finishing, illustrating work-in-process inventory.
Neste artigo
  1. O que se considera produção em curso?
  2. Como medir a quantidade física de produção em curso
  3. O número de peças não é a carga de trabalho restante
  4. Fórmula do custo da produção em curso
  5. Porque é que contar unidades não permite apurar o valor
  6. O que revela realmente um nível elevado ou baixo de produção em curso
  7. Use o SkyPlanner para planear a conclusão do trabalho em curso
  8. O que mudou na Mamec ao iniciar os trabalhos no momento certo
  9. Comece por um lote que está à espera há demasiado tempo

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Tempo de leitura estimado: 9 minutos

A produção em curso (WIP) abrange os bens que já entraram em produção, mas ainda não estão concluídos. Inclui tanto as peças em processamento como os produtos inacabados que aguardam entre operações. Na contabilidade, a produção em curso também designa os custos de fabrico acumulados nesses bens inacabados.

Estas duas perspetivas respondem a perguntas diferentes. A contagem indica a quantidade que falta concluir. O valor do custo indica os custos de fabrico já incorporados nessa produção. Por si só, nenhuma delas explica por que razão um lote está à espera desde segunda-feira ou quando poderá finalmente sair da produção.

Para um responsável de produção, é essa a pergunta que importa fazer a seguir. O SkyPlanner APS articula as operações por concluir com a capacidade, a disponibilidade dos materiais e as prioridades, ajudando a concluir o trabalho em vez de continuar a aumentar as filas de espera. Uma melhor coordenação dos tempos reduz a produção em curso desnecessária e o capital nela imobilizado.

O que se considera produção em curso?

Considere os inventários em três momentos do fluxo de fabrico:

  • Matérias-primas: materiais e componentes comprados que aguardam utilização na produção.
  • Produção em curso: bens cujo fabrico já começou, mas que ainda necessitam de operações de fabrico, montagem ou verificações finais obrigatórias.
  • Produtos acabados: produtos concluídos, mesmo que ainda não tenham sido vendidos ou expedidos.

Uma carcaça maquinada que aguarda revestimento é produção em curso. O mesmo se aplica a uma unidade montada que aguarda a inspeção final necessária para ser dada como concluída. Já uma unidade concluída e aceite, à espera do camião de entrega, é um produto acabado, não produção em curso.

Uma peça inacabada não deixa de entrar na contagem por estar à espera. As filas de espera, as transferências e as retenções podem representar grande parte do tempo que um produto passa na produção, mesmo sem estar a ser trabalhado por qualquer máquina nesse momento.

Também poderá encontrar a expressão trabalhos em curso. A utilização varia entre empresas e setores; neste guia, WIP refere-se aos bens de fabrico ainda por concluir, não a um cálculo de faturação de projetos nem ao número de tarefas no quadro de uma equipa de software.

Como medir a quantidade física de produção em curso

Comece por definir claramente o âmbito da contagem: por exemplo, uma família de produtos, desde a primeira operação de fabrico até à aceitação final. Conte as peças inacabadas dentro desse âmbito num momento definido. Na produção a granel, a unidade adequada poderá ser o quilograma ou o litro, em vez do número de peças.

Imagine uma fábrica que acompanha uma família de carcaças idênticas. No final do turno de sexta-feira, regista a seguinte situação:

Situação atualCarcaças inacabadasTrabalho por concluir
Em maquinação20Concluir a maquinação, efetuar o acabamento e inspecionar
À espera de acabamento60Efetuar o acabamento e inspecionar
A aguardar inspeção final20Inspecionar e aceitar
Total em curso100A quantidade de trabalho por concluir varia

Conte cada carcaça uma única vez, na situação em que se encontra. Não volte a contar o mesmo lote por cada operação que ainda falta na sua rota de produção.

Também pode reconciliar as entradas e saídas do âmbito definido. Suponha que a semana começou com 120 carcaças inacabadas, que outras 480 entraram em produção e que 500 passaram a produtos acabados. Sem abates por sucata nem outros movimentos:

Produção em curso no final = 120 + 480 − 500 = 100 carcaças

Se o resultado não coincidir com a contagem física, investigue conclusões de produção por registar, transferências não registadas, abates por sucata ou a hora de corte dos registos antes de tirar conclusões sobre o desempenho da produção.

O número de peças não é a carga de trabalho restante

A tabela apresenta 100 peças inacabadas, mas as 20 que aguardam inspeção exigem muito menos trabalho do que as 20 ainda em maquinação. Duas filas de espera com o mesmo número de peças podem, por isso, exigir capacidades muito diferentes.

Numa fábrica com produtos variados, contar ordens de trabalho diz ainda menos: uma pode exigir apenas uma inspeção breve, enquanto outra pode ocupar vários recursos durante vários dias. Registe as quantidades por produto ou por família relevante e use a duração das operações por concluir para compreender a carga. Expresse essa carga em horas; não a confunda com a quantidade ou o valor da produção em curso.

Fórmula do custo da produção em curso

Para uma reconciliação simplificada dos custos de um período:

Custo final da produção em curso = custo inicial da produção em curso + custos de fabrico incorporados − custo da produção acabada

Os custos de fabrico incorporados incluem os materiais diretos consumidos, a mão de obra direta e os gastos gerais de fabrico imputados. O custo da produção acabada (COGM) é o custo transferido quando a produção fica concluída. Não corresponde ao preço de venda nem ao custo dos produtos vendidos durante o período.

Imagine agora um exemplo independente de custos mensais. A produção em curso inicial tem um custo de $18.000, o fabrico incorpora $72.000 e os produtos concluídos, com um custo de $65.000, passam para o inventário de produtos acabados. Sem outros ajustamentos:

$18.000 + $72.000 − $65.000 = $25.000 de custo final da produção em curso

Este é um saldo de custos, não 25.000 unidades nem $25.000 de lucro futuro. Este exemplo é independente da contagem de carcaças apresentada acima.

Porque é que contar unidades não permite apurar o valor

Um produto inacabado apenas acumula os custos que lhe foram atribuídos até ao momento. Multiplicar cada peça inacabada pelo custo total do produto acabado pode sobreavaliar o saldo. Estar «a meio da rota de produção» também não significa necessariamente ter acumulado metade do custo total: um material caro pode ser incorporado logo no início, enquanto os custos de mão de obra e de processamento se acumulam mais tarde.

Use os registos de custeio e a política contabilística adotados pela sua equipa financeira. A reconciliação entre o saldo inicial e o saldo final explica os movimentos de custos; o relato financeiro pode também exigir ajustamentos de valorização ao abrigo do referencial contabilístico aplicável.

Para as decisões de produção, a distinção essencial é mais simples: o custo acumulado indica o que já foi incorporado no trabalho. A parte da rota ainda por executar indica o que falta para o concluir. Precisa das duas perspetivas; uma não substitui a outra.

O que revela realmente um nível elevado ou baixo de produção em curso

Um nível elevado de produção em curso justifica uma análise, mas não constitui um diagnóstico completo. Pode refletir maior procura, uma combinação diferente de produtos, capacidade deliberadamente reservada ou trabalho que se acumula devido a uma interrupção. Um nível baixo pode indicar um fluxo regular, mas também pode significar que um recurso crítico tem pouco trabalho pronto a executar.

O objetivo não é eliminar toda a produção inacabada. É ter trabalho suficiente, e do tipo certo, para permitir concluir os trabalhos de forma fiável, sem arranques antecipados, esperas ou movimentações desnecessários.

Voltemos às 60 carcaças à espera de acabamento. Se foram maquinadas esta manhã para um período de acabamento previsto para esta tarde, a fila pode ser perfeitamente razoável. Se estão ali há uma semana enquanto o recurso de acabamento processa outras ordens, a mesma contagem descreve um problema diferente.

Para compreender essa fila de espera, determine:

1. O tempo decorrido: quando entrou o lote em produção e há quanto tempo está à espera neste ponto?

2. A operação seguinte: de que recurso, material ou aprovação precisa para avançar?

3. A conclusão prevista: quando é possível encaixar as operações restantes no plano, e essa programação permite cumprir o prazo acordado para a encomenda?

4. O motivo da espera: trata-se de uma reserva planeada de trabalho, de ordens a disputar a mesma capacidade, de falta de material, de uma retenção por motivos de qualidade ou de outra interrupção?

Assim, a constatação de que «temos demasiada produção em curso» permite tomar decisões concretas e agir. A falta de um componente comprado exige uma resposta diferente da sobrecarga de um posto de acabamento. Passar mais um lote pela maquinação não resolve nenhum dos dois problemas.

Analise a produção em curso em conjunto com a produção concluída e o cumprimento dos prazos de entrega. Se entrar mais trabalho em produção do que aquele que sai como produto acabado, sem outras saídas, a produção inacabada está a acumular-se. Se a produção em curso diminuir apenas porque a fábrica deixa de receber encomendas, isso não demonstra uma melhoria do processo. Compare períodos e famílias de produtos semelhantes, para não confundir uma alteração na combinação de produtos com uma melhoria.

Use o SkyPlanner para planear a conclusão do trabalho em curso

Depois de identificar onde o trabalho está à espera, a questão de programação é concreta: como encaixar as operações restantes com tudo o que a fábrica também precisa de concluir?

O SkyPlanner reúne postos de trabalho, turnos, operadores, etapas do processo e durações num plano de produção partilhado. O Arcturus, o seu motor de programação com IA, programa as operações de acordo com a capacidade, as dependências e as prioridades configuradas. A vista Gantt mostra a sequência resultante nos vários recursos, em vez de deixar cada departamento gerir a sua própria fila de espera.

No caso das carcaças em espera, pode analisar a operação de acabamento em conjunto com o trabalho que a precede e o que se segue. O recurso está ocupado com um compromisso anterior? É possível encaixar a inspeção a seguir? Iniciar agora outro lote de carcaças iria apenas criar mais trabalho em espera?

Com a opção de programação que tem em conta os materiais ativada, o Arcturus também considera o stock e a disponibilidade dos materiais a receber. Isto é importante quando uma operação posterior exige um componente comprado: não basta que a primeira máquina esteja disponível se a ordem não puder prosseguir pelas operações de montagem.

A informação sobre o progresso da produção mantém o plano útil. O Timer do SkyPlanner regista os inícios e as paragens do trabalho, bem como as quantidades produzidas, enquanto a sua REST API aberta permite a ligação a qualquer ERP ou MES. À medida que o progresso, a disponibilidade ou as prioridades mudam, o Arcturus pode recalcular o plano com base na informação atualizada. O utilizador define as prioridades; a IA trata dos cálculos da programação.

O resultado é menos trabalho diário a corrigir as filas de trabalho de cada máquina e uma base mais clara para decidir o que deve avançar. Pode evitar afetar mais materiais e esforço às ordens antes do momento adequado, concentrando a atenção na produção em curso que precisa de ser concluída para cumprir as entregas.

A conclusão do fabrico, por si só, não liberta capital: a passagem da produção em curso para produtos acabados altera o estado dos bens, mas estes continuam a fazer parte dos inventários. O benefício financeiro resulta de reduzir os inventários desnecessários e fazer avançar a produção certa para responder à procura dos clientes, não apenas de reduzir o valor da rubrica de produção em curso.

O que mudou na Mamec ao iniciar os trabalhos no momento certo

A Mamec, fabricante finlandês de equipamento de mistura industrial e de produtos de alta tecnologia em regime de subcontratação, definia anteriormente as prioridades de milhares de ordens de trabalho interdependentes com base nas datas de entrega indicadas nas ordens em papel. O planeamento no ERP não proporcionava uma visão global, e a gestão baseava-se em estimativas subjetivas para avaliar a carga de produção.

Com o SkyPlanner integrado no seu ambiente Oscar ERP, a Mamec passou a dispor de programação com capacidade finita e de uma visão partilhada do estado das ordens e da respetiva programação. Os colaboradores podiam consultar uma ordem, em vez de dependerem de diferentes interpretações da situação.

A Mamec refere lead times mais ajustados, menos trabalho de planeamento e menos fundo de maneio desnecessariamente imobilizado em produção em curso, porque os trabalhos começam no momento certo. É esta a ligação prática entre a produção em curso e a programação: a fábrica continua a ter trabalho em produção, mas dispõe de uma base melhor para decidir quando esse trabalho deve lá estar.

Comece por um lote que está à espera há demasiado tempo

Escolha uma ordem por concluir cujo atraso a sua equipa conheça bem. Traga para uma demonstração do SkyPlanner os dados sobre o ponto em que se encontra, as operações que faltam, as necessidades de materiais e o prazo de entrega acordado. O teste útil é perceber se consegue visualizar um plano articulado para a concluir, que tenha também em conta as outras ordens que disputam os mesmos recursos.

Marque uma demonstração do SkyPlanner para explorar esse plano com base na sua realidade de produção ou, se preferir, comece por experimentar o SkyPlanner com dados de demonstração. Melhorar os níveis de produção em curso começa por compreender o trabalho ainda por concluir. Um plano de produção melhor ajuda-o a agir sobre essa realidade.

Jussi Mäntylä

Especialista em planeamento da produção, SkyPlanner

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